quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

IPC promove oficinas de cimboa para revitalizar e popularizar o instrumento em Cabo Verde

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O Instituto do Património Cultural (IPC), em parceria com a Academia Cesária Évora e o Programa Bolsa de Acesso à Cultura (BA-Cultura), iniciou hoje na cidade da Praia, as oficinas de execução de cimboa, financiadas pelo Instituto Camões.

O projecto, no âmbito do Programa ProCultura, tem como principal objectivo garantir a preservação e a reinserção da cimboa na música cabo-verdiana.

Em declarações à Inforpress, a directora do Património Imaterial do IPC, Carla Semedo, ressaltou que a cimboa é um instrumento que corre risco de desaparecimento, tornando sua preservação uma prioridade.

"Queremos garantir que a cimboa seja reconhecida e utilizada pelos músicos, permitindo novas experimentações e arranjos que a levem a ocupar um lugar fixo na cena musical", afirmou.

A confecção do instrumento tem sido um dos principais desafios do projecto, devido à dificuldade de obtenção de materiais essenciais, como o bule (elemento percussivo) e os fios extraídos do rabo de cavalo, que precisam ser importados do Senegal.

No entanto, observou que a receptividade dos formandos tem sido positiva, com grande interesse em aprender sobre o instrumento e suas possibilidades musicais.

Por outro lado, o formador Domingos Fernandes, conhecido pelo nome de artesão, mestre Pascoal, ressaltou a importância de demonstrar que a cimboa não se limita ao batuque, podendo ser integrada a outros gêneros musicais. Contudo, alertou para a necessidade de maior dedicação ao aprendizado.

"A sonoridade da cimboa enfrenta desafios no mundo moderno, devido à poluição sonora e à falta de incentivo. Esse é um instrumento que exige paixão e compromisso de quem o toca", destacou.

Ele ainda fez um apelo para que mais pessoas se envolvam na preservação da cimboa como património imaterial de Cabo Verde.

Actualmente, 20 formandos participam das oficinas, sendo 10 ligados ao programa BA-Cultura e 10 da Academia Cesária Évora, numa iniciativa que busca não apenas resgatar a cimboa, mas também incentivar sua valorização como um elemento vivo da identidade musical cabo-verdiana.

As oficinas de execução de cimboa acontecem ao longo de dois dias, 02 e 03 de Abril, na Academia de Música Cesária Évora e no Palácio da Cultura Ildo Lobo, visando proporcionar uma imersão no aprendizado e na valorização do instrumento tradicional cabo-verdiano.

 

A Semana com Inforpress

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