quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

Autarca de Istambul detido por corrupção e ligação ao terrorismo

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A polícia da Turquia deteve hoje o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, no âmbito de uma investigação judicial por suposta corrupção e "colaboração com grupos terroristas", em referência aos guerrilheiros curdos.

 

Um grande destacamento policial cercou no início da manhã a casa de Imamoglu e deteve o autarca, assim como vários colaboradores e funcionários municipais do mesmo partido, o Partido Popular Republicano (CHP, na sigla em turco).

A agência de notícias estatal Anadolu disse que o Ministério Público emitiu mandados de detenção para Imamoglu e para outras cerca de 100 pessoas.

"Centenas de polícias chegaram à minha porta. (...) A polícia invadiu a minha casa e derrubou minha porta", anunciou Imamoglu na rede social X.

"Estamos a enfrentar uma enorme tirania, mas quero que saibam que não serei desencorajado", disse Imamoglu, que acusou o Governo de "usurpar a vontade" do povo.

Um dos colaboradores do autarca disse à agência de notícias France-Presse que Imamoglu foi detido e levado para a esquadra da polícia.

De acordo com um comunicado de imprensa do gabinete do Ministério Público em Istambul, Imamoglu é acusado de estar "à frente de uma organização criminosa com fins lucrativos" como parte de uma investigação sobre corrupção.

O comunicado, citado pela imprensa local, menciona ainda acusações de "apoio ao PKK", o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado como um grupo terrorista pela Turquia.

As autoridades encerraram várias estradas em torno de Istambul e proibiram manifestações na cidade por quatro dias num aparente esforço para evitar protestos após a detenção do autarca.

Imamoglu foi eleito pela primeira vez em 2019, pondo fim a um quarto de século de domínio dos islamitas na maior cidade da Turquia.

O social-democrata foi reeleito em março de 2024, tendo desde então sido apontado como o rival mais provável do chefe de Estado da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, nas próximas presidenciais.

A Universidade de Istambul, uma instituição pública de ensino superior, anulou na terça-feira os diplomas de 28 pessoas, incluindo Imamoglu, com base nas conclusões de uma comissão de investigação interna sobre suposta "falsificação de documentos oficiais".

A decisão acrescenta mais um obstáculo adicional à possível candidatura de Imamoglu à presidência turca.

De acordo com a Constituição turca, os candidatos à presidência do país devem ter um diploma do ensino superior.

A detenção aconteceu dias antes do CHP realizar as primárias no domingo, onde Imamoglu deveria ser escolhido como candidato para as futuras eleições presidenciais, previstas para 2028.

O presidente do CHP, Ozgur Ozel, denunciou a detenção de Imamoglu como "uma tentativa de golpe contra o (...) próximo presidente".

A Semana com Lusa

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