quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

Pelo menos 9.300 moçambicanos morrem por ano com doenças associadas ao tabaco

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Pelo menos 9.300 moçambicanos morrem anualmente devido a doenças relacionadas com o consumo do tabaco, sendo os mais pobres os que “mais sofrem”, disse hoje fonte do Ministério da Saúde de Moçambique.

“Cada ano, o tabaco mata 9.300 moçambicanos, isto corresponde a 3,5% das mortes no país”, disse a diretora nacional adjunta de Saúde Pública, Aleny Couto, durante o lançamento do relatório de caso de investimento no controlo do tabaco, em Maputo.

Do total de mortes, 73% ocorre em pessoas até 70 anos e 14% em fumadores passivos, referiu Aleny Couto, acrescentando que o investimento nas sete medidas de controlo do tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS) poderá evitar pelo menos 53.300 mortes até 2037.

“Se nós investirmos em medidas do controlo do consumo de tabaco, podemos, sim, reduzir em um terço a mortalidade até 2030, mas também estaremos a contribuir (…) para o desenvolvimento do país, há uma redução da pobreza”, disse a diretora adjunta de Saúde Pública, numa alusão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A OMS sugere o aumento de impostos sobre os produtos de tabaco para os tornar menos acessíveis, a proibição total da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco, a adoção de embalagens padronizadas e advertências sanitárias mais eficazes, criação de ambientes 100% livres de fumo em espaços públicos fechados e o fortalecimento de programas de cessação para apoiar os que desejam deixar de fumar, como algumas medidas a adotar para uma “legislação abrangente e eficaz”, visando reduzir o consumo em Moçambique.

“É urgente a aprovação da lei para o controlo do tabaco em Moçambique para a defesa da saúde pública (…). Os benefícios de uma legislação rigorosa vão muito além da saúde (...). Ao priorizar esta agenda, Moçambique não apenas salvará vidas, mas também reforçará sua trajetória de desenvolvimento sustentável”, disse a representante da OMS em Moçambique, Severin Von Xylander.

Von Xylander alertou também para o impacto “devastador do tabaco” e a necessidade urgente da tomada de “medidas robustas” para o seu controlo em Moçambique, reiterando o compromisso da OMS em apoiar o Governo moçambicano no desenvolvimento de políticas eficazes para o controlo do tabaco.

“Juntos podemos proteger as gerações atuais e futuras dos efeitos devastadores desta epidemia. A hora de agir é agora”, concluiu o representante da OMS em Moçambique.

De acordo com o Ministério da Saúde moçambicano, cerca de 13,7% de adultos no país são consumidores de tabaco, 23% dos quais são homens e 7,3% mulheres, sendo que a maioria dos jovens do país está exposta ao fumo passivo.

Até 2015, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, era a maior consumidora de tabaco, com 20,6%, e a província de Inhambane, no sul do país, registava o menor consumo, com 5,5%.

A Semana com Lusa

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