quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

China adverte que Ásia “não é lugar para rivalidades” após reunião Trump-Modi

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 O Governo chinês advertiu esta sexta-feira que a região da Ásia - Pacífico não é “uma arena para rivalidade geopolítica”, após uma cimeira entre os Estados Unidos e a Índia, que visou contrariar a ascensão da China.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, fez as declarações após uma reunião no dia anterior entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na qual os dois se elogiaram mutuamente e destacaram a sua amizade de décadas, em parte para travar o avanço da China na ordem mundial.

“As relações entre países não devem visar terceiros nem procurar prejudicar os interesses de outros. A Ásia-Pacífico segue o caminho do desenvolvimento pacífico e não é uma arena de rivalidade geopolítica”, disse o porta-voz.

Sem mencionar em nenhum momento os Estados Unidos ou a Índia, Guo pediu que os países não tenham como objetivo, nas suas relações bilaterais, criar “confrontos entre blocos”, porque essa política “não criará segurança nem manterá a região ou o mundo estáveis e pacíficos”.

Trump reforçou na véspera a sua relação com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, com a promessa de um acordo comercial para aliviar as taxas norte-americanas.

Entre os pactos alcançados estão “um grande acordo energético que irá restaurar os Estados Unidos como um dos principais fornecedores de petróleo e gás para a Índia” e um aumento das vendas militares de Washington ao país asiático.

As relações entre a China e a Índia, as duas maiores potências asiáticas, deterioraram-se gravemente a partir de 2020, quando um destacamento militar ilegal chinês provocou uma reação indiana que degenerou num confronto fronteiriço no território de Ladakh - um território dos Himalaias reivindicado pela China - no qual morreram 20 soldados indianos e 76 outros ficaram feridos, para além de um número oficial de quatro soldados chineses mortos.

Desde então, as potências aumentaram a sua presença militar na zona, agravando a hostilidade.

Os gigantes asiáticos têm uma disputa histórica por algumas regiões dos Himalaias, como o Aksai Chin, administrado pela China e reivindicado pela Índia, e várias partes do estado indiano de Arunachal Pradesh, onde a situação é inversa.

No entanto, nos últimos meses, os laços entre os dois países melhoraram e, em janeiro passado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, defendeu o “entendimento” em vez do “afastamento e da suspeita”, depois de se ter reunido em Pequim com o Secretário dos Negócios Estrangeiros indiano, Vikram Misri.

A Semana com Lusa

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